Antropónimos seta GONÇALVES, Antão

Foi guarda-roupa do infante D. Henrique. Em 1441, ao comando de um navio pequeno, partiu para a região a sul do Bojador com o intuito de carregar determinadas mercadorias (peles e óleo de lobos-marinhos). No decurso desta viagem foi armado cavaleiro por Nuno Tristão, ficando este momento registado na cartografia com o topónimo Porto do Cavaleiro. Nuno Tristão decidiu dar-lhe esta honra por Antão Gonçalves ter penetrado três léguas no interior da costa e ter convencido nove dos seus companheiros a irem com ele resgatar mouros, de modo a satisfazer o desejo do Infante de saber mais sobre aquelas terras. Na verdade, capturou um mouro e uma moura, os primeiros cativos que mais tarde foram resgatados, iniciando-se uma prática que, no futuro, teria ampla difusão e importância económica. Na verdade, segundo Zurara, Antão Gonçalves propôs ao Infante regressar ao lugar onde capturara os mouros para trocá-los por negros, argumentando que através desses escravos não só se saberia mais sobre aquelas terras, como também se lhes salvariam as almas, convertendo-as ao Cristianismo. Assim, em 1442, após a autorização de D. Henrique, lançou-se numa nova missão, tendo trocado os mouros por uma dezena de escravos e por um pouco de ouro, tendo também sido informado que naquela região existiam mercadores que comerciavam esse material precioso. Na missão de resgate, Antão Gonçalves foi secundado por Martim Fernandes que, anteriormente, tinha servido o Infante no resgate de cativos portugueses no Magreb. Em 1444, partiu de Portugal num navio pequeno com destino ao rio do Ouro, tendo alcançado as zonas além Pedra ou Porto da Galé, limitando-se a reconhecer melhor a terra e a trazer consigo peles e óleo de foca, mas poucos cativos. Nesta expedição foi acompanhado por Gomes Pires, patrão de el-rei, que ia ao serviço do infante D. Pedro, e por Diogo Afonso, da Casa do infante D. Henrique. João de Barros informa-nos que com Antão Gonçalves seguiu um escudeiro, de nome João Fernandes, que foi aí deixado para recolher notícias sobre os azenegues, tendo sido recolhido sete meses depois, em 1445. Nesta data, Antão Gonçalves voltou a partir de Portugal, comandando uma armada de três velas onde também participaram Diogo Afonso e Garcia Homem. Para lá da recolha de João Fernandes, os capitães das três caravelas deveriam dedicar-se ao comércio e à captura de escravos para viabilizar economicamente a empresa. Depois de fazerem escala na ilha da Madeira, seguiram caminho para o cabo Branco, onde Diogo Afonso foi o primeiro a chegar. Aí reunidos, os capitães decidiram ir capturar escravos na ilha de Arguim, onde cativaram 25 nativos. Quando a armada recolheu João Fernandes, este informou Antão Gonçalves da existência de uma cavaleiro mouro, Aude Meilão, que estava disposto a comerciar com os portugueses, trocando nove negros e um pouco de ouro em pó, por um punhado de mercadorias de pouco valor. Para os europeus, este encontro ficou marcado na cartografia com o nome de cabo do Resgate. De regresso a cabo Branco, aprisionaram mais 55 mouros, porém, constatando que não haveria nem espaço para alojamento, nem mantimentos para manter os cativos, estes foram libertados, regressando a armada a Lisboa, directamente do cabo Branco. Depois de quatro viagens, Antão Gonçalves sedentarizou-se aceitando a doação do Infante da capitania da ilha de Lançarote que, na época, D. Henrique julgava que lhe pertencia, mas que o Tratado de Alcáçovas, já depois da morte do Infante, reconheceu definitivamente como pertencente a Castela.

Bibliografia:
ALBUQUERQUE, Luís de, Navegadores, Viajantes e Aventureiros Portugueses, Lisboa, Caminho, 1992. GODINHO, Vitorino Magalhães, A Economia dos Descobrimentos Henriquinos, Lisboa, 1962. OLIVEIRA, José Pinto de, “Gonçalves, Antão” in Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses, Vol. I, Lisboa, Caminho, 1994, pp. 470-471. ZURARA, Gomes Eanes de, Crónica dos feitos notáveis que se passaram na conquista de Guiné por mandado do infante D. Henrique, 2 vols., Lisboa, Academia Portuguesa de História, 1973-1981.

Autor: Teresa Lacerda

Patrocínio: Câmara Municipal de Lagos


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