Antropónimos seta MARTINHO Hara (1568-1629)

Religioso da Companhia de Jesus que trabalhou especialmente no Japão. Nasceu por volta de 1568 e faleceu em Macau, a 23 de Outubro de 1629. Também conhecido como Martinho do Campo. Aluno do seminário de Arima, partiu a 20 de Fevereiro de 1582 para a Europa e regressou ao Japão em 21 de Julho de 1590. Entrou para a Companhia a 25 de Julho de 1591, começando por estudar em Amakusa; concluidos os dois anos de noviciado, fez os seus primeiros votos. Em 1603, ainda estudante no colégio de Nagasáqui, serviu como notário eclesiástico no processo sobre o julgamento da retratação de Pedro Kano. Em 1606 estudava casos e em 1608 foi ordenado sacerdote. A sua importância no seio da missão era considerável, pois completou a sua formação para ser sacerdote sem ir estudar a Macau. Era reconhecido por vários missionários como sendo um excelente pregador e intérprete e era a figura de proa dos clérigos japoneses. Em 1611 terão havido movimentações para que fosse nomeado reitor do colégio de Nagasáqui. Serviu também muitas vezes como intérprete e diplomata; em 1596 foi o intérprete do encontro ocorrido entre dois franciscanos e Konishi Yukinaga, esteve envolvido em negociações diplomáticas em 1600 (para a libertação dos religiosos capturados em Uto) e 1606 e visitou Tokugawa Ieyasu em 1611, depois de João Rodrigues Tçuzu ter partido para o exílio. Ía acompanhado do reitor de Miyako, Pedro Morejón. A partir deste ultimo ano passou a ser, oficialmente, o secretário do provincial, mas na verdade funcionava como o companheiro de Valentim Carvalho, o que provocou algumas reacções por parte de vários religiosos. Em 1612 foi por seu intermédio que Arima Naozumi comunicou com os jesuítas após a expulsão dos missionários do seu feudo. Efectuou também algumas traduções, nomeadamente o Guía de Pecador e o Libro de Fide, de frei Luís de Granada e em 1613 estava a traduzir o Contemptus mundi. Partiu para Macau em Novembro de 1614, então com 46 anos. A sua saída do Japão pode estar associada ao cargo que desempenhava junto do provincial, embora o facto de ser bastante conhecido no país devesse também ter pesado na decisão de partir. Em 4 de Maio de 1617 fez os seus últimos votos como coadjutor espiritual formado. Nos últimos anos da sua vida trabalhou na revisão da História da Igreja do Japão de João Rodrigues Tçuzu.

Bibliografia:
COSTA, João Paulo Oliveira e, O Cristianismo no Japão e o Episcopado de D. Luís de Cerqueira, dissertação de doutoramento em História apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1998 (texto fotocopiado).

Autor: Helena Rodrigues


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