Antropónimos seta MENDONÇA, João de

Governador da Índia (1564).

Nascido em data desconhecida, João de Mendonça foi filho de António de Mendonça e de D. Isabel de Castro, filha de D. Fernando de Almada, 2º conde de Avranches e de D. Constança de Noronha, 5º senhora de Lagares de El-Rey. Casou-se com D. Joana de Aragão, filha de Nuno Rodrigues Barreto, fronteiro-mor do Algarve, vedor da fazenda, capitão-mor da cidade de Faro e da vila de Loulé. Desta união nasceu um filho, Nuno de Mendonça (1560-1632), que foi capitão de Tânger e acompanhou D. Alberto de Áustria na sua deslocação para a Flandres em 1593 e 1º conde de Vale de Reis em 1628. Foi nomeado, a 5 de Dezembro de 1547, para a capitania de Chaul, aportando à Índia durante o ano de 1548, e nela permanecendo por largos anos. Foi ainda capitão de Malaca, em data incerta, mas pouco tempo antes de ser nomeado governador. Em 1564, após a morte em exercício do vice-rei D. Francisco Coutinho, ficou como governador interino através da abertura da segunda via de sucessão, visto que na primeira se encontrava o nome de D. Antão de Noronha que, na altura, não se encontrava na Índia. Iniciou o seu governo a 29 de Fevereiro de 1564 e terminou-o a 3 de Setembro com a chegada de D. Antão.

Durante estes seis meses de governação, o acontecimento mais marcante foi a reabertura das hostilidades no Malabar. Estando em Goa a receber as habituais embaixadas de soberanos asiáticos sempre que cada novo governador ou vice-rei iniciava o seu governo, recebeu embaixada do Samorim de Calicute. Este protestou pelos excessos cometidos por Domingos de Mesquita, que havia morto cerca de 2000 muçulmanos num ataque a fustas malabares. João Mendonça replicou, afirmando que Mesquita era um rebelde em relação ao Estado da Índia, dando carta branca ao Samorim para que o capturar e fazer dele o que entendesse. Quando este regressou a Goa, foi preso pelo governador em cena teatral, pois logo de seguida foi ordenada a sua libertação. O governador proveu ainda Álvaro de Mendonça para a capitania das Molucas e Pero de Ataíde para a capitania do Ceilão, onde prosseguia a guerra entre o rei de Kotte e o Madune das fontes portuguesas, rei de Sitawaka. Entretanto, em Cananor, uma pequena trica local motivou uma nova invasão da cidade onde era D. Paio de Noronha. Sabendo de tal facto, João de Mendonça despachou em socorro daquela praça, uma armada com seis baixéis, capitaneada por André de Sousa. A sua última decisão governativa foi a nomeação do seu sobrinho Rodrigo Furtado para capitanear uma armada de sete a oito navios, encarregue de buscar mantimentos para Goa aos rios do Canará.

Uma vez terminado o seu governo interino e regressando ao Reino, em 1565 ou 1566, após passagem por Ormuz e pela ilha de Santa Helena. Ainda assim, teria regressado pobre ao reino e sem grandes posses, por não ter enriquecido enquanto foi capitão de Malaca. A imagem que dele ficaria seria a de um governador bondoso e cauteloso, segundo Diogo do Couto e Manuel de Faria e Sousa. Também uma carta de 29 de Março de 1564 de Belchior Serrão, escrita ao rei, retrata João de Mendonça com um bom governador, referindo o contentamento com a sua governação (ANTT, Corpo Cronológico, Parte I, Maço 106, documento 106). Dele apenas mais se sabe que participou na Batalha de Alcácer Quibir onde se distinguiu lutando no esquadrão do duque de Aveiro.

Bibliografia:
COUTO, Diogo do, Da Ásia, década VII, livro x, caps. 18-19, Lisboa, Livraria San Carlos, 1974; SOUSA, Manuel de Faria e, Ásia Portuguesa, tradução de Manuel Burquets de Aguiar, vol. III, Parte 2, cap. XIX, Porto, Livraria Civilização, 1945; ZÚQUETE, Afonso, Tratado de todos os Vice-Reis e Governadores da Índia, Lisboa, Editorial Enciclopédia, 1962.

Autor: Nuno Vila-Santa


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