Antropónimos seta JOÃO, D. (? – Vila Viçosa, 1583)

6º duque de Bragança, 1º duque de Barcelos.

Filho único do duque D. Teodósio I e D. Isabel de Lencastre, nasceu antes do ano de 1547. Logo, na infância, o rei D. João III tratou do seu casamento com D. Catarina, sua prima co-irmã, filha do infante D. Duarte e de D. Isabel, irmão do duque D. Teodósio. Foi-lhe dada casa em 1562, quando teria cerca de 15 anos, e a 4 de Agosto, D. Sebastião concedeu-lhe o título de duque de Barcelos (título que viria a designar o varão primogénito dos duques de Bragança). O título poderia ser utilizado pelo futuro filho de D. João, mesmo em vida do avô, D. Teodósio, duque de Bragança. Nesse mesmo ano, a 8 de Agosto, foi assinado o contrato de casamento que o uniria, a 8 de Dezembro do ano seguinte, a D. Catarina. A cerimónia realizou-se na Sala Grande do Paço da Ribeira e, ao contrário do que era costume da Casa de Bragança, sem grandes festejos, devido ao luto pela recente morte do duque D. Teodósio (D. João assumira o governo da Casa de Bragança a 20 de Setembro de 1563).

O duque, que tinha uma grande ligação com D. Sebastião, acompanhou-o, em Setembro de 1574, aquando da sua primeira passagem ao Norte de África (às praças de Ceuta e Tânger), levando consigo 600 cavaleiros e 2000 infantes recrutados nas suas terras. Durante a sua ausência ficou D. Catarina como governadora da Casa de Bragança, cargo que voltaria a exercer aquando da morte do marido. Na segunda expedição régia a Marrocos, em 1578, D. João, cuja comitiva já estava pronta para a partida, caiu doente com febres. Apesar da partida ter sido adiada, o duque não recuperou e em sua representação enviou o duque de Barcelos, D. Teodósio, que, com apenas 10 anos, encabeçava a imponente comitiva. Na confusão da batalha de Alcácer Quibir, da qual D. Sebastião não regressou, o duque de Barcelos foi feito prisioneiro.

No resgate do duque interveio D. Filipe II de Espanha, que demorou a sua entrega aos pais, tentando dissuadi-los da luta ao trono vagante. Com a crise dinástica, a duquesa de Bragança, D. Catarina, neta de D. Manuel I, apresentava-se como uma das mais fortes concorrentes ao trono português. O duque D. João apoiou largamente os direitos da sua esposa, escrevendo aos reis de França, à rainha de Inglaterra, e ao papa.

D. Filipe II, numa nova tentativa de persuasão, ofereceu aos duques a realeza do Brasil, o Algarve, o título de grão-mestre da Ordem de Cristo, autorização para poder enviar todos os anos uma nau à Índia e ainda o casamento do infante D. Diogo, o herdeiro, com uma das suas filhas. D. Catarina, que pretendia ser rainha de Portugal, declinou.

No final, os duques acabaram por aceitar Filipe II como rei de Portugal. Nas cortes de Tomar, o novo rei, concedeu ao duque D. João a Ordem do Tosão de Ouro, a confirmação do título de excelência e o cargo de condestável do reino (que já havia pertencido aos Braganças).

Antes de se retirar para Espanha, o monarca concedeu ao duque de Bragança inúmeras mercês entre as quais a licença para mandar vir da Índia, durante seis anos, livres de direitos, cem quintais de cravo, de canela e noz moscada.

O duque passou os últimos anos em Vila Viçosa, onde morreu a 22 de Fevereiro de 1583.

Bibliografia:
SOUSA, António Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo VI, nova edição revista por M. Lopes de Almeida e César Pegado, Coimbra, Atlântida Livraria Editora, 1948.

Autor: Maria Dávila


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