Antropónimos seta TEODÓSIO, D., (1568 –1630)

7º duque de Bragança.

Filho do duque D. João e de D. Catarina, nasceu em Vila Viçosa, a 28 de Abril de 1568, tendo-lhe sido logo dado o título de duque de Barcelos. Foi educado por Fernão Soares Homem e António de Castro e teve como aio D. Luís de Noronha.

Em 1578, com apenas 10 anos, D. Teodósio substituiu o pai, que se encontrava doente, encabeçando a imponente comitiva dos Braganças que acompanhou o rei D. Sebastião ao Norte de África. O pequeno duque de Barcelos (que seguia à guarda de seu tio, D. Jaime) deveria representar o pai, mas não combater. Contrariando as ordens do rei, que o mandou recolher-se ao seu coche durante a batalha de Alcácer Quibir, D. Teodósio andou a cavalo, comandando os seus homens e ajudando onde lhe parecia mais necessário. Na confusão da batalha, da qual D. Sebastião não voltaria, foi ferido na cabeça e feito prisioneiro (assim como grande número dos seus servidores) por Mawley Ahmad.

Quando se apercebeu da importância do prisioneiro, Mawley Ahmad enviou-o numa liteira para Fez, onde foi hospedado no bairro judeu (bem como a grande maioria dos prisioneiros). Aí aguardou que fosse negociada a sua libertação. O seu pai, enviou Jorge de Lemos para tratar do resgate, mas nestas negociações interveio também D. Filipe II. O monarca castelhano, a quem a morte de D. Sebastião colocava muito próximo do trono português, via nos duques de Bragança os seus maiores opositores (D. Catarina, assim como D. Isabel, mãe de Filipe II, era filha do infante D. Duarte). Com a libertação do duque de Barcelos o monarca esperava garantir a gratidão e apoio dos Bragança. Tal não veio a suceder, e apesar de D. Teodósio ter sido libertado em 1579, esteve retido em San Lucas pelo duque de Medina Sidónia. Só regressou a Portugal, após a morte do cardeal D. Henrique, quando D. Filipe II já tinha o trono garantido.

O duque D. João morreu no ano de 1583. Sendo D. Teodósio muito jovem, foi D. Catarina quem assegurou a o governo da Casa até à maioridade do novo duque de Bragança.

Em 1589, quando Lisboa foi atacada por D. António, prior do Crato, e pelos ingleses, D. Teodósio participou na defesa da cidade, armando à sua custa uma grande força militar e reforçando, nas suas terras, todas as fortificações costeiras. Pela sua ajuda D. Filipe II escreveu-lhe uma carta de agradecimento.

D. Teodósio casou em 1603 com uma noiva escolhida pelo monarca, D. Ana Velasco, filha de D. João de Velasco, condestável de Castela e Leão, conde de Haro e de Castel- Novo, um homem muito próximo do rei. Pelo casamento, o rei D. Filipe III (de Castela) renovou-lhe a mercê (durante 26 anos) que lhe permitia trazer da Índia, isento de direitos, cem quintais de canela, cem de cravo e cem de noz (ou em seu lugar, outros cem de cravo), isentos de direitos. Nesta mesma altura, o rei fez-lhe doação de Vila do Conde.

No ano seguinte, a 18 de Março, nasceu em Vila Viçosa o primeiro filho do casal, D. João, duque de Barcelos e futuro rei de Portugal. Seguir-lhe-iam D. Duarte, D. Catarina e D. Alexandre. D. Ana de Velasco morreu em 1607, aos 26 anos.

Em 1617 D. Teodósio enviou para o Algarve um socorro preventivo, pois Francis Drake ameaçava as suas águas, e em 1625 contribuiu com 20 000 cruzados para o socorro da Baía.

O duque morreu em Vila Viçosa a 29 de Novembro de 1630. Dez anos depois o seu filho, o duque D. João II, foi rei de Portugal.

Bibliografia:
SOUSA, António Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo VI, nova edição revista por M. Lopes de Almeida e César Pegado, Coimbra, Atlântida Livraria Editora, 1948.

Autor: Maria Dávila


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