Antropónimos seta NETO, Brás (?-1537/38?)

1.º bispo de Cabo Verde.

Era filho de Pedro Gonçalves, da família Neto de Salamanca, fidalgo de cota de armas de Espanha, a quem foi concedida a mercê de usar brasão e de os transmitir à sua descendência; o seu irmão Simão Neto foi alcaide de Abrantes. A criação da diocese de Cabo Verde data de 31 de Janeiro de 1533. O padroado régio decidiu dotar a recém criada diocese com as rendas do mosteiro cisterciense de S. Pedro das Águias, na diocese de Lamego, que estavam agregadas sob comenda que pertencia a Brás Neto, que para esse efeito a cederia. Brás Neto pertencia ao Conselho do Reino, tendo sido previamente desembargador do Paço, bem como embaixador na cúria papal. Durante a sua estadia junto do papado esteve envolvido nas importantes negociações da reforma do priorado de Tomar da Ordem de Cristo. Esta experiência cortesã e sobretudo as funções diplomática em Roma foram determinantes na sua escolha para bispo de Cabo Verde por D. João III, tendo sido apresentado a D. Martinho de Portugal em 20 de Maio de 1532. Foi depois recomendado ao rei por bula do papa Clemente VII de 16 de Novembro de 1532 e confirmado por breve de 31 de Janeiro de 1533. Em 12 de Setembro de 1534, D. João III escreveu às autoridades da ilha de Santiago para que assistissem à posse do procurador enviado pelo bispo para tomar posse da dignidade e para que aquelas o reconhecessem nos assuntos temporais e espirituais. Contudo, não foi residir ao bispado, dado que tarefas diplomáticas do reino se acabaram por sobrepor aos interesses eclesiásticos de Cabo Verde. Em 1537, Brás Neto foi designado como emissário régio junto do tribunal de Baiona em companhia do Dr. Afonso Fernandes para decidir sobre divergências luso-francesas a propósito de actividades de corso praticadas por navios franceses. O bispo indigitado solicitou à Imperatriz D. Isabel, mulher de Carlos V autorização para seguir livremente para França, devendo em seguida voltar a Fuenterrabia e Irun para continuar a mesma questão. Terá falecido em finais de 1537/inícios de 1538, pois logo em Fevereiro de 1538 foi nomeado para o substituir naquele tribunal devido ao seu falecimento D. Gonçalo Pinheiro, bispo de Safim e desembargador da Casa da Suplicação.

Bibliografia:
Anónimo (1784), Notícia Corográfica e Cronológica do Bispado de Cabo Verde, … edição e notas de António Carreira, Lisboa, Instituto Caboverdeano do Livro, 1985. ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, nova ed.preparada e dirigida por Damião Peres, vol. II, Porto-Lisboa, Livraria Civilização, 1968, pp. 684-685. PAIVA, José Pedro, Os Bispos de Portugal e do Império, 1495-1777, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2006. REMA, Henrique Pinto, “Diocese de Cabo Verde”, História Religiosa de Portugal, dir. de Carlos Azevedo, Lisboa, Círculo de Leitores, 2001, vol. II, A-C, pp. 280-284. SANTOS, Maria Emília Madeira; SOARES, Maria João, “Igreja, Missionação e Sociedade”, História Geral de Cabo Verde, vol. II, coord. de Maria Emília Madeira Santos, Lisboa-Praia, IICT-INCCV, 1995, pp. 372, 381-382. SOUSA, António Caetano de, Catálogo dos bispos das igrejas de Cabo Verde, S. Tomé e Angola in Colleçam dos documentos, estatutos e memórias da Academia real da História Portugueza que neste anno de 1722 se compuzerão e se imprimirão por ordem dos seus censores, Lisboa, Pascoal da Sylva, 1722.

Autor: Maria João Soares


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