Antropónimos seta S. BOAVENTURA, D. Fr. Cristóvão de (1730-1798)

19.º bispo de Cabo Verde.

Nasceu em Guimarães a 16 de Novembro de 1730 e ingressou na ordem franciscana. Foi apresentado como bispo de Cabo Verde a 30 de Abril de 1784 e confirmado a 14 de Fevereiro de 1785; recebeu sagração em 1 de Maio do mesmo ano na igreja de S. Francisco. Chegou à diocese em 1786. Faleceu em Abril de 1798. Reformou os estatutos do cabido elaborados por D. Fr. Lourenço Garro. O bispo fixou residência em S. Nicolau e argumentava que a sede da catedral se devia transferir para esta ilha, tanto mais que a capital na Ribeira Grande nada mais era para ele que um «montão de ruínas, semelhante ao que se viu nesta corte depois do terremoto». Mesmo quando foi chamado ao governo interino em Santiago, recusou-se a abandonar S. Nicolau. Fundou escolas de gramática latina e teologia moral em S. Nicolau, onde leccionava pessoalmente e também reedificou a matriz na Ribeira da Prata, junto da qual construiu o paço episcopal, além de ter obrado várias obras públicas na ilha, como um poço na referida vila, a estrada que lhe dava acesso e obras no porto da Preguiça. Quanto ao clero, informa que não existia de momento um único sacerdote reinól e quanto aos padres da terra considerava-os «um bando de ignorantes, bêbedos, concubinários e cheios de filhos», «lobos das suas ovelhas», pelo que ordenou 16 estudantes “com bem pouca consciência”, além de se ter negado a dar ordens sacras a muitos outros. Confessa que o bispado chegara à sua «última agonia», mas mesmo assim suspendeu alguns padres da terra. Já que de fora não vinha clero e o que existia não servia mandou oito ordinandos dos que considerava mais aptos para serem instruídos nos colégios de Pina Manique, para posteriormente poderem seguir cursos na Universidade de Coimbra e voltar a Cabo Verde. O bispo foi encarregue por Martinho de Melo e Castro do povoamento da ilha de S. Vicente mas não deu execução às intenções de um maioral local da ilha do Fogo chamado João Carlos Fonseca, já que considerava que a tarefa só teria sucesso com brancos do reino. Quando da fome de 1792 armou um navio à sua custa à Guiné a buscar milho e também enviou uma embarcação à América do Norte com o mesmo propósito. Foi responsável pela construção de várias novas igrejas nomeadamente a de Santo António em Pombas, São João Baptista no porto do Carvoeiros, Santo Crucifixo em Coculi e S. Pedro Apóstolo em Chã de Igreja da Garça. D. Fr. Cristóvão morreu em 1798 e foi sepultado junto à igreja paroquial da Ribeira Brava.

Bibliografia:
ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, nova ed.preparada e dirigida por Damião Peres, vol. III, Porto-Lisboa, Livraria Civilização, 1968. BARCELLOS, Christiano José de Sena, Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné, tomo III, parte V, Lisboa, Academia Real das Ciências de Lisboa, 1905. MARQUES, João Francisco, A Arquidiocese de Braga na Evangelização do Além-Mar, Braga, Comissão arquidiocesana de Braga das Comemorações dos 5 séculos de Evangelização e Encontro de Culturas; Faculdade de Teologia – Braga (Universidade Católica Portuguesa); Cabido da Sé Metropolitana e Primacial de Braga, pp. 321-323. REMA, Henrique Pinto, “Diocese de Cabo Verde”, História Religiosa de Portugal, dir. de Carlos Azevedo, Lisboa, Círculo de Leitores, 2001, vol. II, A-C, pp. 280-284.

Autor: Maria João Soares


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