Antropónimos seta SOUSA, Pêro Lopes de (c. 1509-1540)

Filho de D. Brites de Albuquerque e de Lopo de Sousa (alcaide-mor de Bragança e aio do 4º duque de Bragança). Em cronologia e circunstâncias exactas que quedam por apurar, Pêro Lopes foi instruído na arte da navegação, vindo a adquirir, ao longo da carreira, sólida experiência na matéria, a ponto de D. João de Castro lhe ter dirigido rasgado elogio.

A primeira das suas viagens que se encontra documentada teve início a 3 de Dezembro de 1530. O capitão-mor da armada era o seu irmão, Martim Afonso de Sousa, consistindo os principais objectivos da expedição em combater a presença francesa no litoral brasileiro, proceder a novas explorações geográficas da região e lançar as bases da colonização portuguesa no território. Pêro Lopes tomou lugar a bordo da nau capitânia e, logo à partida de Lisboa, começou a redigir apontamentos sobre a evolução da singradura e sobre os episódios que marcaram a restante campanha, deixando ali patentes os conhecimentos náuticos de que já era possuidor.

A esquadra chegou à Terra de Vera Cruz nos finais de Janeiro de 1531 e logo ocorreram combates com velas francesas. As vitórias obtidas e o arresto de embarcações rivais permitiram que Pêro Lopes tomasse a capitania de uma delas. Martim Afonso de Sousa incumbiu-o depois da realização de uma importante missão, o reconhecimento da bacia do rio da Prata e a instalação de padrões sinalizadores da autoridade da Coroa portuguesa na zona. Em Janeiro do ano seguinte, Pêro Lopes estava na companhia daquele a quem designava como o “Capitão Irmão”, quando se fundou a vila de S. Vicente, núcleo primordial da colonização do espaço brasileiro. Dali, o fidalgo foi enviado de regresso ao Reino. Fez escala em Pernambuco, onde teve oportunidade de voltar a entrar em confronto com interesses franceses, saldando-se os recontros pela destruição da recém-criada feitoria e pela tomada de prisioneiros, que foram trazidos para Portugal. Em Janeiro de 1533, desembarcou no porto de Faro, avistando-se de seguida com D. João III e com o primo D. António de Ataíde, vedor da Fazenda e 1º conde da Castanheira, a quem prestou conta dos sucessos alcançados durante a expedição.

O bom trabalho executado, a par da consanguinidade com o ministro favorito de D. João III, valeram recompensas a Pêro Lopes de Sousa. A parte mais directa e objectiva destas traduziu-se na doação, que já lhe estava garantida desde 1532 e que foi materializada em 1534, de oitenta léguas na costa do Brasil, das quais emergiram as capitanias-donatarias de Itamaracá, Santo Amaro e Santana. À semelhança da maioria dos fidalgos que foram alvo de mercês semelhantes, Pêro Lopes foi um donatário absentista, facto que, em conjugação com a activa carreira naval que desenvolveu nos anos seguintes, ajuda a compreender a situação problemática que as ditas capitanias enfrentavam aquando do seu desaparecimento.

Nos anos seguintes, os créditos de Pêro Lopes não cessaram de aumentar, por via do socorro que ajudou a prestar à praça marroquina de Safim (1534), da participação na armada lusa que ajudou Carlos V a recuperar o controlo de Tunes (1536) e, sobretudo, pela conduta eficaz que demonstrou na qualidade de capitão-mor da armada de guarda da costa portuguesa (1536).

O último capítulo da vida de Pêro Lopes de Sousa foi preenchido com o exercício da capitania-mor de outra esquadra. Neste âmbito, em 1539, aventurou-se pela primeira vez na rota da Carreira da Índia. A estadia no Subcontinente foi curta, tendo tido ocasião de, junto com outros oficiais, representar o vice-rei D. Garcia de Noronha no estabelecimento da paz com o Samorim de Calecut. Em 1540, empreendeu a torna-viagem, mas sofreu um naufrágio na área envolvente da ilha de S. Lourenço (actual Madagáscar), ao qual não terá sobrevivido. Dois anos passados, ao assumir o governo do Estado da Índia, Martim Afonso de Sousa promoveu buscas do irmão, das quais não houve resultados positivos.

Bibliografia:
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Autor: Alexandra Pelúcia