Antropónimos seta MATA, Gil da (1547-1599)

Religioso da Companhia de Jesus que trabalhou especialmente no Japão. Nasceu em Logroño, por volta de 1547 e faleceu em 1599. Foi admitido na Companhia, em Salamanca, a 12 de Março de 1566. Estudou Filosofia em Segóvia e depois Teologia em Salamanca e Valladolid. Em 1576 foi ordenado sacerdote e logo nomeado reitor do colégio de Léon. Em 1577-78 foi companheiro do cardeal de Burgos e depois ensinou por três anos Teologia Moral. Embora se tivesse oferecido para a vida missionária em 1573, só partiu para a Índia em 1584, a bordo da nau Relíquias; depois duma breve estadia em Goa, retomou a viagem a 1 de Maio de 1585 e, chegado a Macau, começou de imediato a estudar a língua japonesa. Chegou ao Japão em 1586, tendo desembarcado em Hirado. Foi logo destinado para a residência de Takatsuki, onde trabalhou muito pouco tempo, devido ao édito anti-cristão de 1587, que o forçou a passar para a ilha de Kyûshû. Esteve então na região de Ômura, tendo por auxiliar o irmão Lourenço. Em 1590 foi nomeado superior das residências de Himi e Yagami, nos arredores de Nagasáqui. Tornou-se professo de 4 votos em Amakusa, a 10 de Novembro de 1591. Esteve fora do Japão entre Outubro de 1592 e Agosto de 1598 por ter sido enviado a Roma como procurador da missão. Partiu da Índia para Portugal em Janeiro de 1594; foi recebido por Filipe II em 18 de Dezembro de 1594 e esteve em Roma em 1595. Em 1596, Alexandre Valignano considera que Gil da Mata havia representado a missão em Roma de forma insuficiente porque enquanto trabalhara no Japão nunca desempenhara cargos de chefia e estivera sempre na mesma missão. Chegou ao Japão em Agosto de 1598, mas no final desse ano foi nomeado mais uma vez procurador da missão e enviado de novo a Roma. Em 1599 Valignano justificava o reenvio de Gil da Mata com o facto de ele poder ser mais útil à Companhia nessas funções pois para além de já conhecer as exigências do cargo e de ter poucos conhecimentos da língua japonesa, os outros possíveis candidatos faziam mais falta no Japão. Partiu em Fevereiro de 1599 mas o navio que o transportava naufragou antes de chegar a Macau e nunca se encontraram sobreviventes.

Bibliografia:
COSTA, João Paulo Oliveira e, O Cristianismo no Japão e o Episcopado de D. Luís de Cerqueira, dissertação de doutoramento em História apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1998 (texto fotocopiado).

Autor: Helena Rodrigues