Antropónimos seta SPINOLA, Carlo (1565-1622)

Religioso da Companhia de Jesus que trabalhou especialmente no Japão. Nasceu, provavelmente em Madrid, em Janeiro ou Fevereiro de 1565, e morreu em Nagasáqui, a 10 de Setembro de 1622. Era filho de Ottavio Spinola, nobre genovês que então acompanhava Rudolfo II, príncipe da Boémia, e que pertencia à família dos condes de Tessarolo. Era sobrinho do cardeal Filipe Spinola. Estudou em colégios de jesuítas desde 1573, em Madrid, Nola e em Nápoles. Entrou para a Companhia no noviciado de Nola, a 23 de Dezembro de 1584. Fez votos de biénio a 25 de Dezembro de 1586 e foi ordenado sacerdote em Milão, em 1594; depois defendeu tese em Teologia e foi destinado à missão do Japão. Partiu de Génova, a 6 de Dezembro de 1595 e deixou Lisboa a 10 de Aril de 1596; a 16 de Julho de 1596 escalou a Baía mas o navio não pôde prosseguir viagem, pelo que retornou à Europa pela via do Porto Rico, mas a 17 de Outubro de 1597 foi aprisionado por ingleses e levado para Inglaterra. Foi libertado a 10 de Janeiro de 1598, e passados oito dias chegou a Lisboa na companhia de Jerónimo de Angelis, seu companheiro de aventura; fez então profissão de 4 votos em São Roque; ainda em Lisboa instituiu a congregação de Nossa Senhora dos estudantes. Em Agosto de 1599 chegou a Goa e no final de Agosto chegou a Macau; por volta de Abril 1601, Valentim Carvalho nomeou Spinola procurador da missão do Japão em Macau e encarregou-o da planificação da nova igreja de São Paulo, que foi necessário construir depois do incêndio de Novembro de 1600 que destruiu a anterior igreja. Não foi para o Japão em 1601 pela falta de navio, mas em 22 de Janeiro de 1602, estava pronto para partir. Chegou ao Japão em Julho de 1602 e foi para Arima estudar a língua; no ano de 1603 trabalhou na região de Arie e no senhorio de Arima em geral. De Dezembro de 1603 a Outubro de 1611 trabalha em Shimogyô (Miyako de baixo). Em 1605 ofereceu-se para ir fundar uma missão na Coreia; Francisco Pasio aprovou a iniciativa, mas depois adiou-a; em Outubro de 1611 regressou a Nagasáqui, para ocupar o cargo de procurador da província e aí observou um eclipse lunar, a 8 de Novembro de 1612. Em 1614, permaneceu clandestinamente em Nagasáqui ficando na companhia do irmão Ambrósio Fernandes, em casa do português Domingos Jorge. Foi aprisionado a 13 de Dezembro de 1618; esteve preso em Suzuta, durante mais de três anos e assistiu aí à morte do irmão Ambrósio Fernandes. Foi queimado vivo.

Bibliografia:
COSTA, João Paulo Oliveira e, O Cristianismo no Japão e o Episcopado de D. Luís de Cerqueira, dissertação de doutoramento em História apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1998 (texto fotocopiado).

Autor: Helena Rodrigues