Antropónimos seta FERNANDO, D. (Vila Viçosa?, c.1430 – Évora, 20 de Junho de 1483)

3º duque de Bragança, 1º duque de Guimarães, 1º conde de Guimarães, 2º marquês de Vila Viçosa, 4º conde de Arraiolos, 6º conde de Ourém, 10º conde de Barcelos e 4º conde da Neiva nasceu em 1430, muito provavelmente, em Vila Viçosa, residência mais frequente de seus pais, D. Fernando, 3º conde de Arraiolos (e futuro 2º Duque de Bragança) e D. Joana de Castro, que haviam casado no ano anterior. Por via paterna, D. Fernando era neto de D. Afonso, 1º duque de Bragança e bisneto de D. João I e D. Nuno Álvares Pereira.

Tinha 17 anos quando o pai o casou com D. Leonor de Meneses, filha do de D. Pedro de Meneses, 1º capitão de Ceuta e conde de Viana e Vila Real. O contrato de casamento foi realizado no dia 14 de Agosto de 1447 nos paços do castelo de Ceuta (D. Isabel enviou o seu procurador, Álvaro Pires), residência do conde de Arraiolos que era, nesta altura, capitão da praça. A acompanhar o pai neste seu cargo estavam os dois filhos mais velhos, D. Fernando II e D. João, futuro marquês de Montemor.

Estreou-se nas lides militares em 1452, quando acompanhou o pai a Ceuta para fazerem regressar o infante D. Fernando ao Reino. Voltou a Marrocos, desta vez integrando um grande exército, em 1458, para a conquista de Alcácer Ceguer.

Depois de se saber herdeiro da Casa de Bragança (devido à morte do tio, o marquês de Valença), em Abril de 1461, D. Fernando passou ao Norte de África, mais precisamente a Alcácer Ceguer, numa expedição organizada à sua custa, com duzentos homens a cavalo e mil homens de pé. Em conjunto com D. Duarte de Meneses, capitão de Alcácer Ceguer, D. Afonso de Vasconcelos, conde de Penela, e outros nobres, entrou inúmeras vezes em território mouro, tendo chegado quase às portas de Tânger. Pelos seus feitos, D. Afonso V deu-lhe, em 1463, a consagração esperada, o título de conde de Guimarães.

A 15 Janeiro de 1462, D. Fernando foi nomeado fronteiro-mor de Entre-Douro, Minho e Trás-os-Montes em substituição do avô, o 1º duque de Bragança, que morrera em Dezembro de 1461.

Participou nas campanha marroquinas de 1463-64, fazendo, com o infante D. Fernando uma entrada na serra de Benamir, da qual resultaram muitos cativos e gado apreendido e foi um dos nobres que acompanhou D. Afonso V a Gibraltar quando este se foi encontrar com Henrique IV, de Castela.

Depois de o pai se ter tornado duque de Bragança, a D. Fernando, viúvo, e sem descendência do seu primeiro casamento, impunha-se uma nova união pela necessidade de um herdeiro. A noiva escolhida foi D. Isabel, filha do infante D. Fernando e prima do herdeiro do trono, o futuro D. João II, reflectindo bem a ascensão da posição social do Duque de Guimarães. Com este casamento, cujo contrato data de 12 de Julho de 1470, a Casa de Bragança voltava a unir-se à Casa Real.

Em 1471 voltou a Marrocos com o rei para a conquista de Arzila, tendo sido o responsável pela armada que partiu do Porto. Quatro anos depois, D. Afonso V fez-lhe doação de Larache, com direito de povoamento, algo que o duque nunca fez.

Apesar do duque seu pai se ter manifestado contra as pretensões afonsinas ao trono castelhano, D. Fernando, representante da linhagem, participou na guerra peninsular como condestável, embora o cargo pertencesse a seu irmão, o marquês de Montemor Quando em 1478 sucedeu a seu pai no ducado de Bragança, D. Fernando II tornou-se no titular do maior domínio senhorial de Portugal, sendo encarado como o representante máximo da alta nobreza portuguesa.

Com a subida ao trono de D. João II em 1481, a relação da alta nobreza com a Coroa modificou-se. Dizem os cronistas que a inimizade entre o duque e D. João II vinha de longe. Nas cortes de Évora de 1481 o duque de Bragança mostrou-se renitente a prestar juramento com a nova fórmula de menagem imposta pelo monarca, declarando-a danosa para a sua honra, e enviou a Vila Viçosa o seu vedor da Fazenda, que delegou a tarefa na filho, para ir buscar as escrituras existentes de doações e privilégios dados ao ducado de Bragança. No seu cofre foi encontrada correspondência entre o Duque e os reis castelhanos, correspondência esta que foi copiada e entregue ao rei.

A partir dessa correspondência procurou-se provar que o duque e seus irmãos, em especial o marquês de Montemor (cuja correspondência também havia sido interceptada), conspiravam com os Reis Católicos contra Portugal.

O duque, acusado de alta traição, foi preso a 30 de Maio de 1483, julgado, condenado à morte e executado publicamente a 20 de Junho desse mesmo ano. Os bens da Casa de Bragança foram confiscados pela Coroa e os seus descendentes banidos da corte.

Bibliografia:
CUNHA, Mafalda Soares da, Linhagem, Parentesco e Poder. A Casa de Bragança (1384-1433), Lisboa, Fundação da Casa de Bragança, 1990. SOUSA, António Caetano de, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, tomo V, nova edição revista por M. Lopes de Almeida e César Pegado, Coimbra, Atlântida Livraria Editora, 1948.

Autor: Maria Dávila