Antropónimos seta MENESES, Fernão Teles de (1530-?)

Governador da Índia (1581).

Filho de Brás Teles de Menezes, alcaide-mor de Moura, camareiro-mor, guarda-mor e capitão dos ginetes do infante D. Luís, e de D. Catarina de Brito. O seu avô paterno, Rui Teles de Meneses, foi 5º senhor de Unhão. Fernão Teles foi o quinto filho deste casamento, recaindo no seu irmão mais velho, Rui Teles de Menezes, a alcaidaria-mor de Moura, herdada do pai, e no secundogénito, João Gomes da Silva, a alcaidaria-mor de Seia. O terceiro filho, D. António Teles de Meneses foi bispo de Lamego e o quarto irmão de Fernão, Luís da Silva Teles de Meneses, foi capitão de Tânger, enquanto a sua irmã mais nova, Joana da Conceição, foi a primeira abadessa do convento de Lamego. Oriundo de família nobre não titulada, Fernão Teles de Meneses casou-se com D. Maria de Noronha, filha de D. Francisco de Faro, vedor da fazenda dos monarcas D. Sebastião e do cardeal-rei D. Henrique. Um dos filhos de D. Francisco de Faro, de nome homónimo, viria a ser titulado, em 1614, por D. Filipe II de Portugal, com o título de conde do Vimieiro. É portanto possível que a carreira de Fernão Teles tenha acabado, a par com a de toda a sua família, por contribuir para aquela titulação. No entanto, Fernão Teles de Meneses não teve filhos deste casamento. Membro do Conselho Real e natural de Santarém, desconhece-se a data em que passou à Índia. No entanto, em 1568, não só já participava na expedição organizada pelo vice-rei D. Antão de Noronha contra a rainha de Olaha, como acompanhou D. Luís de Almeida aos mares de Surrate, quando este foi encarregado por aquele vice-rei de examinar aquela região em busca de embarcações inimigas. Durante o vice-reinado de D. Luís de Ataíde, em 1570, fez parte do socorro enviado pelo vice-rei à praça de Chaul. Com o falecimento do 3º conde de Atouguia, após o seu segundo governo de 1578 a 1581, o qual nutria grande amizade por Fernão Teles, considerando que este lhe devia suceder, procurou impedi-lo, quanto pôde, de partir para a capitania de Diu. No entanto, a sua nomeação, pelas vias de sucessão de D. Luís de Ataíde, data ainda do reinado do cardeal-rei D. Henrique, por via da armada partida do reino em 1579.

Após juramento ao capitão de Goa, D. Tristão de Meneses, começou por despachar uma armada para as Molucas, já em preparação na fase final do governo anterior. Pouco depois, Fernão Teles, sempre atento aos acontecimentos no sultanato de Bijapur, em guerra civil interna, recebia embaixada de uma das partes em conflito solicitando apoio, o qual o governador rejeitou após reunião do Conselho de capitães. Igualmente bem informado de novas intenções do sultão do Achém de colocar novo cerco a Malaca, o governador despachou uma armada para Masulipatão, capitaneada por Gonçalo Vaz de Camões, que encarregou de apressar um navio daquele sultão carregado de munições e pólvora e outro carregado de vastas riquezas do rei do Pegu. Nenhum dos navios viria a ser tomado, passando Gonçalo Vaz a empenhar-se nas lutas que então opunham o reino do Pegu ao reino do Arracão, resultando o seu auxílio em favor do Arracão essencial para a derrota do adversário. Como recompensa das acções de Gonçalo Vaz de Camões, aquele soberano libertou os Portugueses que tinha aprisionados. Enquanto provia aquele capitão, o governador nomeou Matias de Albuquerque, futuro vice-rei, para capitão-mor do mar do Malabar, encarregando-o de ali colher os abastecimentos para Goa. Este não só tratou dos abastecimentos como apresou navios de piratas malabares na foz do rio Carapatão, acção na qual foi acompanhado por André Furtado de Mendonça e por D. Jerónimo de Azevedo. Logo em Setembro de 1581, o governador, por via de uma nau chegada de Ormuz, recebeu notícia da aclamação, nas Cortes de Tomar, de D. Filipe I como rei de Portugal. Apesar das suas simpatias pelo Prior do Crato, devidas à proximidade em criança a esta figura e também pela proximidade familiar ao infante D. Luís, o governador imediatamente se encarregou de fazer jurar obediência ao Prudente no Estado da Índia. No entanto, em Lisboa, desconhecia-se a morte de D. Luís de Ataíde, razão pela qual o rei encarregou este do referido juramento, seguido da sua promoção a Marquês de Santarém. Para o efeito, Fernão Teles de Meneses logrou que o capitão de Goa, D. Tristão de Meneses, jurasse D. Filipe I. Em seguida, despachou procuradores para as fortalezas do Norte e do Sul a fim de que estes também jurassem D. Filipe I. Entre os que juraram O Prudente durante o governo de Fernão Teles de Meneses contam-se, além do referido capitão de Goa: D. Pedro de Castro em representação das praças de Sofala e Moçambique, D. Gonçalo de Meneses, capitão de Ormuz, Martim Afonso de Melo, capitão de Damão, D. Manuel de Almada, capitão de Baçaim, D. Fernando de Castro, capitão de Chaul, Jorge Toscano, capitão de Cananor, D. Jorge de Meneses, O Baroche, capitão de Cochim, Manuel de Sousa Coutinho, capitão de Colombo, Diogo de Azambuja, capitão de Tidore e D. João da Gama, capitão de Malaca. Mas o governo de Fernão Teles de Meneses não terminou sem a expedição do turco, Alibec das fontes portuguesas, à então desguarnecida cidade de Mascate, que foi pilhada, tendo os Portugueses ali estantes fugido para cidades vizinhas. As investidas de Alibec motivaram o supracitado capitão de Ormuz, D. Gonçalo de Meneses, após jurar o novo rei, a organizar uma armada que deveria buscar Alibec. Esta armada, que foi capitaneada por Luís de Almeida, com munições e 400 homens, pilhou algumas cidades da costa árabe, sem conseguir capturar Alibec. Enquanto todos os acontecimentos enunciados decorriam chegava o primeiro vice-rei nomeado por D. Filipe I, D. Francisco Mascarenhas, 1º conde de Santa Cruz, a quem Fernão Teles de Meneses entregou o governo a 17 de Setembro de 1581. A sua última acção política e simbólica, consubstanciou-se na remodelação das pinturas do Palácio dos Governadores de Goa, ali colocadas desde o tempo de Francisco Barreto.

Regressado ao Reino pouco depois, Fernão Teles de Meneses, apesar das suas simpatias pelo filho bastardo do seu senhor, D. António, Prior do Crato, continuou a construção da sua rede de poder. Foi governador e capitão-general do Algarve, general da armada, conselheiro de Estado, regedor da Casa da Suplicação e presidente do Conselho da Índia. Faleceu em 1605 e foi sepultado, conjuntamente com a sua esposa, na Igreja do noviciado de Cotovia, sendo responsável pela fundação daquele noviciado, a cargo da Companhia de Jesus.

Da avaliação do seu governo, interino de seis meses, visto que D. Francisco Mascarenhas foi nomeado por D. Filipe por carta de 22 de Fevereiro de 1581, numa fase em que Fernão Teles ainda não era sequer governador, apenas se sabe que legou ao seu sucessor uma Índia pacificada e repleta de navios de guerra, nas palavras de Manuel de Faria e Sousa.

Bibliografia:
COUTO, Diogo do, Da Ásia, X, i, 1-8 e 10-14, Lisboa, Livraria San Carlos, 1974. SOUSA, Manuel de Faria e, Ásia Portuguesa, tradução de Manuel Burquets, vol. IV, Parte 1, cap. XX, Porto, Livraria Civilização, 1945. ZÚQUETE, Afonso, Tratado de Todos os Vice-Reis e Governadores da Índia, Lisboa, Editorial Enciclopédia, 1962.

Autor: Nuno Campos